Quando faz calor eu espero o frio pra escrever poema. Aí chega o frio, preguiçoso e romântico. Europeizado demais talvez, para quem o sente em noites mal dormidas com vento atravessando frestas das paredes nos casebres. Mas ali está ele! No auge do meu egoísmo, o frio, que vocifera: ócio e romantismo são combinações que se vivessem separados provavelmente não fariam sentido. Daí a Bossa Nova, que retirou do samba o sabor amargo da boca. O samba, tristeza musicada, não carrega em si esse espírito de ócio. O samba é da cachaça depois do batente, é do trabalho sim, senhor. É tão mais simples falar de amor no inverno, quando ele vocifera palavras que aquecem o corpo de quem tem cobertor. Mas é difícil musicar a fome e os tropeços da vida, só no samba isso se faz. O sambista é antes de tudo um forte.

Xeque-mate!
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