quarta-feira, 6 de julho de 2011

Insight

Os olhos negros reluziam feito a mais madura jabuticaba. Eram treze carnavais vividos, e acabava de descobrir alguns de seus predicados que o inquietava. No rosto uma espinha aqui e outra acolá. No quarto toda voracidade de menino novo explorando alguns dos predicados recém-descobertos. Estranhava-se com as revistas de mulheres nuas, com suas nuances pouco atrativas e posições demasiadamente adultas para uma necessidade simples de menino que deseja mais corpo e menos sensualidade. Explorava seu corpinho e sentia necessidade de explorar os outros, de conhecer os outros e descobrir as novidades. Menino tem costume de achar que o outro conhece coisas bem mais diferentes que ele, e aí explora. A escola passa a ser chata depois de um tempo. O corpo passa a ser prioritário, o compartilhamento do prazer parece algo que satisfaça, aí aparecem os outros. Os iguais são diferentes. Depois da escola, os amigos no quarto. Reveem as revistas que todos olham e estranham-se calados. Masturbam-se com ela. A vontade mesmo é ver o corpo do outro, é tocar o sexo do outro. Enquanto a mãe prepara o lanche da tarde os meninos trancados no quarto se conhecem. Os desejos afloram. Não há certo e errado ali. Competem na quantidade de pelos, no tamanho do pênis e na distância da ejaculação. Mas o que querem realmente – e isso eles nunca falam – é obter o maior prazer possível compartilhado com o outro. Depois se destrancam do quarto, com a mão do prazer vão direto ao bolo. Enquanto isso a TV continua ligada sem terem jogado sequer uma partida no vídeo game.

O tempo corre, as vergonhas aparecem. Um ama a mulher antes julgada feia, o outro não esquece a cena da adolescência. Depois de um tempo de distância o que fora embora volta ao interior a passeio, ao se encontrarem no cruzamento da esquina as lembranças dos velhos tempos. A janela do quarto é a serventia da casa. E os amigos tornam a matar o desejo que o tempo havia oprimido.

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