De repente me bateu um desejo de compor uma canção de amor. Mas não podia, eu estava em sala de aula. Os homens, governantes e gestores dão demasiada importância às paredes e aos muros. As paredes bonitas e pintadas são sinônimos de escola modelo. Fazenda modelo. Tá aí o ofício do educador, e para isso direi somente em metáforas: mais que ensinar é preciso domar, sem entusiasmo, somente domar e estar nos holofotes. Educador que deseja obter respeito na escola em que trabalha, doma. Preserva os muros e os acha lindos, e não deixa que os alunos rabisquem as paredes das salas de aulas. Paredes são jaulas. Manoel de Barros, o poeta vagabundo, nos ensina a questionar: ”Que a palavra parede não seja símbolo de obstáculos à liberdade, nem de desejos reprimidos, nem de proibições na infância”. Péssima influência pra Fazenda Modelo essa tal de Manoel. Na escola não há espaço para a poesia. Ainda menos tempo para compor uma canção de amor.

Lindo texto. E o pior de tudo é que a escola que preserva esses muros, impede o pensamento, impede a admiração do que é de fora, impede o contato com o mundo.
ResponderExcluirAmigo Walmor o mundo dos certificados, da concorrência, da exigências infinitas, não nos deixam viver o que queremos... já pensou no quanto fazemos sem desejo? isto não pode ser a finalidade última da vida... a escola não suporta a poesia, porque ela é seriada, catalogada, supervisionada, previamente determinada... a poesia nasce do acaso, da angústia, das folhas secas e do céu disforme... não há muros aqui...
ResponderExcluirAmigo Walmor o mundo dos certificados, da concorrência, da exigências infinitas, não nos deixam viver o que queremos... já pensou no quanto fazemos sem desejo? isto não pode ser a finalidade última da vida... a escola não suporta a poesia, porque ela é seriada, catalogada, supervisionada, previamente determinada... a poesia nasce do acaso, da angústia, das folhas secas e do céu disforme... não há muros aqui...
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