
domingo, 5 de julho de 2009
Será que existe?

sábado, 6 de junho de 2009
O Panteísmo de Espinosa
O panteísmo, que literalmente significa 'tudo é deus/deuses' propõe um Deus que não se ofende com a nossa crença ou descrença na sua existência, é um Deus sem propósito de notoriedade. Deus não tem finalidade de doutrinação, e nem mesmo há possibilidade de juízo final para pagarmos pelos maus atos cometidos aqui. Deus trabalha porque trabalha. Sua função é ser único nessa aparente multiplicidade de seres, ou seja, a substância, em que todos nós habitamos (tudo em um).
Ora, se Deus existisse em um outro plano, que não fosse o plano físico de Espinosa, iria ele, de fato, nos dar o livre-arbítro de não acreditar na sua existência? Penso que se fosse assim, ele já faria todos os seres crentes na sua existência. Existir e não se apresentar é passivo de causar descrença em qualquer pessoas; no entanto, punir essas pessoas por fazer uso desse livre-arbítro que lhe foi concedido seria covardia de qualquer ser que se julgue bom... 'Eu exijo que acreditem em mim, mas não saio em público, além disso dou o direito de todos decidirem se acredita ou não na minha existência; no entanto, se alguém não acreditar e não rezar para mim, será por mim castigado!'. Questionamento? Impossível, é assim que funciona a coisa...
Espinosa teve grandes seguidores, entre eles o físico norte-americano Albert Einstein que declarou: "Acredito no Deus de Espinosa, que se revela na harmonia de tudo o que existe, não num Deus que se preocupa com os destinos e ações do Homem". "A minha religião é, de fato, o Universo".
Grande homem foi Fernando Pessoa. Revestido sobre a identidade de Alberto Caeiro escreveu "O Guardador de Rebanhos". Dentre os impactos da obra sente-se a negação da metafísica, ou, pelo menos, a negação do conceito tradicionalmente aceito de metafísica. O que podemos sentir lendo seus escritos é a materialização de Deus, não deixando de ser religioso, e ensinando-nos a adorá-lo como ele deveras se mostra ao mundo.
O que há de comum entre Espinosa e Pessoa? Deus não se põe em um plano oposto ao nosso, não ocupa uma posição de vigia e de Criador. Deus é o próprio Universo e quer ser visto da forma que se apresenta a nós.
(...)
"Mas se Deus é as árvores, as flores,
os montes, o luar e o Sol,
Para que chama-lo de Deus?"
(...)
Posso chamá-lo de árvore, flores, Sol, rio, ou simplesmente de Natureza. Se é assim que Deus deseja se mostra para mim, é assim que deve respeitá-lo e chamá-lo.
Deus não é nada mais que todas as coisas, a harmonia do Universo.
domingo, 5 de abril de 2009
Olavo de Carvalho e as contradições filosóficas
Em um dos seus artigos, que se pauta na crítica à homossexualidade e em especial a um projeto de lei que visa criminalizar o preconceito por orientação sexual no país, Carvalho mostra todo seu rancor e aversão aos cidadãos LGBTs do Brasil. O projeto de lei, que visa dar igualdade plena aos cidadãos homossexuais que possuem os mesmos deveres na sociedade civil, é chamado por esse autor de lei porca. Ora, não sei se a palavra “porca“ utilizada em seu artigo se dá pela tentativa de igualar os direitos de uma classe hegemônica a uma classe excluída, ou por esses excluídos serem homossexuais.
O que mais me estranha é que Carvalho (filósofos?) se contradiz em relação à primeira frase do segundo parágrafo de sua biografia. Onde está o pensador que visa a defesa da interioridade humana contra a tirania da autoridade coletiva? Ora, a autoridade coletiva que se fala até hoje no campo da sexualidade é a heteronormatividade que se vê assombrando os vários setores da sociedade. É a hegemonia heterossexual que reprime aqueles que independente do motivo segue uma orientação sexual diferente.
Quando Carvalho (filósofo?) se posiciona em relação ao projeto, se coloca como um grande conhecedor da questão da sexualidade humana, e não bastasse isso; posta-se como um grande conhecedor de política em uma sociedade de direitos, aquilo que ele, definitivamente, não é. Como um filósofo que visa a defesa da interioridade humana, concordar com o massacre heteronormativo em nossa sociedade é uma triste contradição. Em seu discurso, parece que quem sofrerá com a igualdade de direitos entre os gêneros será o heterossexual que já se acostumou ao conforto de ser mais poderoso que o gay. Em nenhum momento ele cita a opressão de séculos sofrida pelos cidadãos LGBT, que muitas vezes morrem sem se identificar como tal.
Não é estranho quando em resposta ao uma amiga, o doutor Marcos Bagno, línguista e professor universitário da UNB, responde com tom irônico que Olavo de Carvalho não é de se levar a sério, e que o cujo é motivo de chacota e desprezo no mundo universitário.
Não bastasse a crítica ao projeto de lei que visa acabar com a autoridade coletiva, também me aparece o Sr. Carvalho para criticar a grandiosa obra de Bagno, “Preconceito Línguístico“. Ora, mais uma vez com seu argumento contraditório, Carvalho diz que a oposição à gramática normativa não traz, por si só, uma identidade verdadeiramente nacional. Não sei se estou apto a comentar com profundidade esse assunto, pois já li a obra de Bagno há um certo tempo; no entanto o que o filósofo tenta afirmar em quase todo seu artigo é que Bagno tem como único objetivo construir uma identidade extremamente nacional, desprendida de qualquer estrangeirismo, como numa alusão a um certo nacionalismo. Não me parece adequada essa interpretação de Olavo de Carvalho, pois o foco central da crítica de Bagno é a questão da imposição de uma gramática normativa, repleta de regras antiquadas e desatualizadas, numa sociedade que fala uma língua muito distante daquela. Não apenas isso, mas a incoerência de tentar padronizar uma línguagem, seja ela oral ou escrita, em um país com diversidade cultural e línguística tão grande como o nosso Brasil. Pior que isso é pensar que a língua normativa pode se sustentar por muito tempo diante das constantes transformações de nosso meio.
Sintetizando, penso que o objetivo de Bagno seja exatamente a luta da interioridade humana contra a tirania coletiva daqueles que querem impor uma língua normativa, e além de tudo, vêem como justo o ensino dessas regras nas escolas do país. É estranho que Carvalho discorde de Bagno.
Mesmo que o paradgma seguido por Bagno não fosse o mesmo do seguido por Carvalho, esse segundo deveria no mínimo ser coerente com a sua própria filosofia, entendendo que o que ele está negando é exatamente aquilo que ele próprio diz ser o correto. No primeiro caso é o direito à interioridade humano do homossexual frente à tirania heteronormativa da sociedade, das leis e da moral. No segundo caso, é a luta pela interioridade das pessoas que não falam aquele português arcaico e o direito delas considerarem como língua materna aquela que carregam consigo desde o nascimento. É a luta dessa pessoas contra a opressão de um grupo que defende a gramática normativa.
Espero que Olavo de Carvalho, com toda sua gentileza, me explique sua incoerência filosófica em relação a esses dois assuntos.
sábado, 29 de novembro de 2008
Olha cara!
Olha Juninho,Não sei se é por você ser tão pequeno,
Não sei se é por parecer tão grande,
Mas morro de vontade de te morder.
Talvez seja porque tu cheiras chocolate;
Mas não sei se é bem por isso,
Já que chocolate não é tão gostoso quanto parece ser essa tua boca.
Acho que você é o menino que mais me atrai,
Entre os vários que tenho vontade de morder,
Entre os vários que parecem cheirar a chocolate.
Acho que até teu suor eu beberia,
E lamberia as suas nádegas.
Pô Juninho,
Essa tua pele me parece ser mais aconchegante que um cobertor,
Mais cheirosa que a mais cheirosa flor,
Mais macia que a seda da Bombyx mori.
Pô Juninho,
Queria falar da delícia que se esconde por dentro do teu jeans,
Queria falar de tua delícia,
Queria falar mais sobre ti,
Mas já chega;
Assim eu te deixo constrangido...
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
A Cidade e o cidadão em Aristóteles e a realidade social e política da sociedade brasileira atual
Existe, porém, uma clara diferença entre o conceito aristotélico de homem e de cidadão. Nem todos os que vivem em uma cidade são cidadãos. O cidadão grego precisava fazer parte da vida pública, participar das assembléias que legislavam e governavam as cidades e administravam a justiça. Também não é o fato de ser livre que concedia ao homem o título de cidadão. Para Aristóteles o operário apesar de ser livre não poderia receber esse título, pois esse não exercia a vida pública e produzia apenas para satisfazer a necessidade dos primeiros. Além desses, não eram considerados cidadãos os escravos, as crianças e as mulheres. Dessa forma os cidadãos se mostravam em números bastante limitados na sociedade grega.
Os gregos eram considerados por Aristóteles como superiores “por natureza”. Pode-se notar um etnocentrismo inerente na filosofia aristotélica. Dessa forma, na teoria da escravidão ele não concebia como escravos os derrotados em uma guerra de gregos contra gregos, mas sim quando os gregos guerreavam contra os bárbaros. Além dos estrangeiros ele concebia alguns homens como escravos “por natureza”. Esses eram todos os homens cujos encargos implicavam no uso do corpo (trabalho agrícola, braçal) que era aquilo que eles possuíam de melhor, e para esses o melhor partido era submeter-se à autoridade de alguém. Segundo ele, o fim supremo do homem (felicidade) consiste em aperfeiçoar-se enquanto homem nas atividades que os diferem em todas as outras coisas (razão).
Se tomarmos como exemplo a sociedade brasileira atual, e analisarmos sob os aspectos da filosofia aristotélica na sociedade grega, podemos perceber grandes semelhanças entre as duas sociedades. Embora oficialmente a escravidão não exista, podemos perceber os mesmos problemas e preconceitos que existiam na sociedade grega há mais de dois mil anos.
Oficialmente em nosso país todos somos cidadãos de direitos, porém, nem sempre esses direitos são realmente garantidos. O conceito racista de Aristóteles em relação aos povos não-gregos são os mesmos que por séculos se tem em relação aos negros em nosso país. A mulher no Brasil, assim como na sociedade grega se encontra muitas vezes em situações inferiores ao homem, sendo menos remuneradas quando exercem trabalhos similares. E as crianças simplesmente possuem a maior parte de seus direitos burlados e seus anseios ignorados pelos adultos.
A classe operária, aquela que só possui o seu corpo para submeter ao enriquecimento de um outro, está sempre em condições inferiores na sociedade, tendo assim os seus verdadeiros direitos de cidadãos sonegados.
Conclui-se que, assim como na sociedade grega antiga o Brasil possui um seleto grupo de verdadeiros cidadãos de direitos, sendo excluído os negros, as mulheres, os operários (escravos) e as crianças, que não possui direito a quase nenhuma voz. Mas ao contrário do conceito de Aristóteles, os cidadãos do Brasil (moderno?) são aqueles que exploram, não por se destacarem racionalmente, mas por estarem no topo de um sistema de superioridade alógica em nome do capital.
sábado, 12 de julho de 2008
Condicionados ao devir-pinto
Era num corpo frágil de menino que se escondia a alma de uma pequena mulher...
Ricardo sorria pra todos como numa atitude natural, numa efeminação excessiva e na inocência de um jovem que se descobria uma mulher com pênis.
Esforçava-se para agradar os garotos de seu lugar. Coitadinho! Ele não sabia que os amores dos garotos eram outros, e que por trás daquelas carinhas bonitas se escondiam corações feios que apedrejavam Ricardo nos pensamentos quando passava se insinuado. Os garotos que Ricardo desejava foram educados com uma moral indigna, hipócrita e desigual.
Começaram a lhe surgir os primeiros pêlos, então passou a depilar-se toda semana, pois mulher e pêlos não podiam conviver juntos.
Não entendia o porquê sua mãe adorava lhe vestir como homenzinho. Ele não era homenzinho! Aquela maldita roupa deveria ser usada pelo garoto com quem iria se casar...
Um dia se findara a inocência! Desde o nascimento, quando o médico o retirou da barriga de sua mãe e o levantou dizendo que ali nascia um menino, começara-se o equivoco do devir-pinto...
Ricardo hoje agradece a oportunidade que teve. Com 35 anos se chama agora Geni, uma transexual brasileira!
Para convencer todas as pessoas que a julgaram por todos esses anos, Geni teve que dar a cara à tapa e suportar o falso-moralismo das pessoas “boas” e que a condenava em nome de Deus.
“Perdoem-me todos os médicos, religiosos e aqueles que um dia me julgaram pelo devir-pinto, mas o verdadeiro sexo de um ser humano está na sua alma, e essa, seus conhecimentos religiosos e científicos ainda não conseguiram desvendar! Não tenho culpa se ao me mandar ao mundo Deus me botou um órgão genital que não correspondesse à minha verdadeira identidade, então aquela mesma medicina que um dia levantou-me pelas pernas e disse à minha mãe que eu era um menino, contribuiu para que hoje eu me tornasse uma mulher digna e feliz por poder ser vista como sempre quis.” – palavras de Geni.
Hoje, depois de tanta luta o Brasil ainda clama: Mais respeito com as nossas travestis! Mais respeito com as transexuais!
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Dei um beijo dentro da Igreja ...

Dei um beijo dentro da igreja!
Jesus me olhou e sorriu dizendo: ame mesmo!
Até pensei que ele estivesse brincando,
Mas não poderia brincar com uma coisa tão séria.
Então conheci o que me proibiram.
De que vale viver se não for por amor?
Dois meninos, sozinhos, num encaixe perfeito,
Na parede Jesus me acenou com louvor.
Então percebi que o homem adora inventar coisas...
Esses padres caretas que não conheceram o amor,
Essa sociedade restritiva que já nasce negando o corpo,
Essas pessoas que acham feio tudo o que não é espelho.
Nunca me ensinaram em casa ou na catequese sobre sexualidade,
Só me ensinaram regras e mais regras, coisas que me fazem sofrer.
Por que é que o ser humano já nasce tendo que viver acorrentado em 'verdades' que não interessam?
Se Deus fizesse o homem para sofrer, qual seria o sentido da vida?
Só me interessa a liberdade...
Foi por isso que Jesus sorriu pra mim!
Jesus ensinou o amor e o homem criou as regras,
Jesus ensinou o amor e o homem inventou a dor,
Jesus não ensinou a guerra, mas os homens se matam em nome da religião.
A felicidade só é possível se o homem for livre para conhecer e explorar todas as seus prazeres...
Então fui dormir feliz com o meu amado.
Dois homens, tão jovens não podem sofrer escondidos.
Jesus nos olhou e disse novamente:
Vão pra vida, minhas crianças! Amem mesmo, conheçam-se, explorem o que não faz mal a ninguém... Saibam que todos os dias homens se matam e sofrem pelo meu nome! Todos tolos! Fazem penitências. O sofrimento não agrada a Deus. Preferiria ver esses homens se amando como vocês dois a vê-los sofrendo pelo meu nome. A felicidade sim! Por isso façam o que quiserem fazer, pois só os que são felizes alcançarão o Reino dos Céus.
Então continuou Jesus:
Vejam que até o encaixe é perfeito! Pecado é não se render. Dois homens quando se amam e se encontram no ápice da relação, com os corpos totalmente encaixados, esquecem de qualquer mal! Dois homens quando se amam esquecem da guerra, assim como esquecem da guerra duas mulheres que se amam. Não podemos ser bons pais ou boas mães, ou até mesmo assumir com êxito o nosso lado profissional, se não estivermos mais ou menos em paz com nossa sexualidade!
Então foi que Jesus nos deixou satisfeitos. O homem nos cria barreiras, cabe a nós destruí-las. Até mesmo o nosso sexo foi mais prazeroso naquela noite. E cada vez que amo, sinto-me menos culpado por todos os erros que existe no mundo. E hoje, com mais convicção afirmo: não há felicidade dentro da repressão sexual!
domingo, 1 de junho de 2008
Pedro e Eduardo

No início resolveu seguir o caminho de Deus;
Amar alguém do mesmo sexo era pecado; dizia o padre de sua paróquia!
Por isso sofreu por dez anos, reprimindo sentimentos, como quem se esconde num casulo de proteção...
Até que foi pego de surpresa pelo amor;
Percebeu que ninguém conhecia Deus tão bem quanto ele...
...e descobriu que o único pecado era não ser feliz!
Então a fé se concretizou num encaixe perfeito; corpo a corpo; na verdadeira descoberta da vida.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Um paranaense esquecido...

Quem conhece Luiz Carlos Paraná?
A música brasileira ainda esconde muita preciosidade na sua história perdida. Nascido no norte do Paraná, Luiz Carlos, que adota um sugestivo nome em homenagem ao seu estado natal, não é lembrado nos livros que contam a história da música brasileira. Pouco se encontra sobre ele na internet, e quase nunca se ouve falar em seu nome.
Ribeirão Claro, pólo turístico da região norte do estado. Pouco mais de 10 mil habitantes, se destaca pelas suas belezas naturais atraindo turistas de todo o país. Teve como filho mais ilustre, esse, que sem dúvida enriqueceu a música brasileira e deveria ser motivo de orgulho por todo o país. Na verdade, nada disso acontece. Luiz Carlos caiu no anonimato, é lembrado apenas pelos mais antigos, aqueles que o conheceram pessoalmente tocando nas festas da cidade.
Ele é o compositor de canções ímpares, como Cafezal em Flor, uma guarânia imortalizada na voz de Cascatinha e Inhana, De Amor ou Paz, defendida por Elza Soares e alcançando o segundo lugar no 2º Festival de Música Brasileira, ficando atrás apenas de Chico Buarque e Geraldo Vandré e também a grande canção que conseguiu o quarto lugar no 3º Festival de Música Brasileira na voz de Roberto Carlos; Maria, Carnaval e Cinzas. Foi grande amigo João Gilberto e seu parceiro de quarto em uma pensão
Possui uma vasta lista de outras músicas que embalaram o namoro e os primeiros beijos de nossos avós.
É triste que artistas como esse que defende a nossa cultura e que entrega o melhor de si para enriquecer a nossa história, acabam morrendo no anonimato. Falta respeito por parte dos pesquisadores de música. Falta respeito por parte dos órgãos responsáveis pelo incentivo à cultura. Não podemos deixar que esses nomes fiquem esquecidos no tempo e passem desconhecidos pelos nossos jovens.
Salvem nossas raízes! Viva a cultura brasileira!
terça-feira, 15 de abril de 2008
Menino do Rio

O que é que Caetano tem que os outros não têm?
Chega de se emocionar com Sampa e acordar com a boca cheia de fumaça trazendo à cabeça a rotina da conturbada São Paulo. Ou relembrar Alegra Alegria e voltar aos tempos de repressão. O ápice de Caetano Veloso é uma canção vagabunda, uma descritiva quase inútil de um garoto carioca. Menino do Rio, calor que provoca arrepio...
Caetano quase não emociona na melodia, porém traz uma letra forte narrando a beleza desleixada do carioquinha esbelto e com dragão tatuado no braço. Na minha cabeça surge uma imagem ensolarada, uma tarde em Ipanema e um garoto saindo do mar. A imagem parece tão nítida que sinto um prazer absoluto e parece que sinto o garoto aqui ao meu lado. Ao se aproximar posso sentir a respiração ofegante do menino e o sorriso extremamente cativante de um bom carioca. O menino é um anjo dos cabelos até o ombro, loiros e encaracolados. Corpo forte, peito liso e corpo indecentemente esbelto. O calção meio aberto deixa à mostra os pentelhos e me faz imaginar o objeto que se estende um pouco mais abaixo.
De fato o mestre Caetano venceu. E nesse momento de encanto dificilmente posso imaginar um garoto que fuja do padrão caetaneano da canção ensolarada. Nesse dia de frio eu queria um Menino do Rio como esse, que me aquecesse e dormisse comigo, provando que o melhor prazer da vida é viver, e o maior amor do mundo é aquele que descobrimos através de canções!
Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço
Calção corpo aberto no espaço
Coração, de eterno flerte
Adoro ver-te...
Menino vadio
Tensão flutuante do Rio
Eu canto prá Deus
Proteger-te...
O Hawaí, seja aqui
Tudo o que sonhares
Todos os lugares
As ondas dos mares
Pois quando eu te vejo
Eu desejo o teu desejo...
Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Toma esta canção
Como um beijo...
Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço
Calção corpo aberto no espaço
Coração, de eterno flerte
Adoro ver-te...
Menino vadio
Tensão flutuante do Rio
Eu canto prá Deus
Proteger-te...
O Hawaí, seja aqui
Tudo o que sonhares
Todos os lugares
As ondas dos mares
Pois quando eu te vejo
Eu desejo o teu desejo...
sábado, 12 de abril de 2008
Qualquer maneira da amor vale a pena... (Homofobia Já Era!)
Até hoje não consigo entender qual o verdadeiro conceito de um preconceito. Me parece muito estranho um indivíduo se incomodando com a vida sexual alheia. Muitas pessoas acabam esquecendo de todos os problemas que existe no mundo e se acham no direito de usar o seu pseudo-moralismo para criticar o amor!!! Em que mundo estamos? Hoje se critica o amor! É lamentável que para essas cabeças pequenas seja impossível conviver com a diferença. São impossibilitados de pensar e rever conceitos arcaicos trazidos como herança de tempos imundos onde o mito cristão ditava as regras.
Eu fico com a liberdade! A liberdade de ser feliz sem paradigmas! A liberdade de amar de todas as maneiras, assim como canta Milton Nascimento: Qualquer maneira de amor vale a pena...
domingo, 6 de abril de 2008
E do Zimbábue ninguém fala...
O Zimbábue é um país africano, um dos mais desiguais do mundo. De acordo com informações obtidas no Almanaque Abril, 99% das terras se encontram nas mãos de 1% da população, e 1% está sobre posse dos outros 99% de zimbabuenses. O país, que há 28 anos se encontra nas mãos de um único homem passa por mais um processo eleitoral. É a tentativa esperançosa dos zimbabuenses de elegerem um novo governante que possa mudar os rumos do país.
O simples processo de eleição presidencial poderia ser insignificante, pois todos os países democráticos passam por isso, mas no caso de Zimbábue é diferente. De acordo com dados não-oficiais o partido da oposição teria ganhado as eleições, e finalmente, após 28 anos o país iria para as mãos de um novo governante que para um povo como o de Zimbábue, onde morrer de fome não passa de uma fatalidade da vida, poderia ser significado de progresso e a garantia do “pão-nosso” de cada dia. Porém, como nenhum rei aceita facilmente perder seu trono, o Zimbábue vive ainda um dilema que só saberemos o resultado após a recontagem dos votos por recorrência do atual presidente.
Unindo a falta de instrução daquele povo e da precariedade no sistema eleitoral de um dos países mais pobres do mundo, confesso que fico muito pessimista. Não é fácil pensar
Hoje, vendo televisão pude perceber o desinteresse das emissoras brasileiras em dar informação. Enquanto um país luta, o outro chora. A morte de Isabella choca o país. Não é pra menos! A inocência da criança nos sensibiliza. Mas quantas Isabellas não estão todo dia morrendo por aí? A TV mostra uma Isabella de classe média, bem arrumada e com uma vida cheia de mordomia. As Isabellas do mundo não são assim. São pobres, imundas, vivem em situações subumanas e enfeitam o cenário de qualquer subúrbio de cidades brasileiras. São Isabellas sem nomes, sem documentos e sem infância. Isabellas que morrem no anonimato, sem uma Rede Globo para retratar o seu sofrimento. A Isabella da televisão já rouba a cena dos telejornais por quase uma semana e a população ainda não se cansou. De um lado o desrespeito do jornalismo para com quem realmente está sofrendo com o caso. Do outro uma população que não está preocupada com informação e acham que esse caso é unanimidade enquanto outras crianças inocentes, como a querida Isabella da TV, morrem de todas as maneiras por esse mundo.
As Isabellas do Zimbábue talvez nem saibam que está tendo eleição por lá. Talvez nem imaginem que em um país do continente vizinho a população discuta incessantemente a morte de uma menina como ela, que tinha vontade de viver. Sei que a pequenina que morreu não tem nada a ver com isso, mas gostaria que a sociedade olhasse mais atentamente nas Isabellas desse mundo, e que as emissoras, das quais o país tanto se orgulha, desse mais valor na informação e não no sensacionalismo usado para conquistar audiência. O Zimbábue não está tão longe, mas nenhuma emissora fala das eleições de lá. Talvez se retratássemos mais a realidade de Zimbábues e Brasis a sociedade teria uma nova ótica sobre o que é crueldade. Por favor, Rede Globo mais respeito pela família enlutada, mais respeito pelo Brasil!
domingo, 23 de março de 2008
Quem ouve Céu vai pro céu...

Quem ouve Céu vai pro céu.
Ah, tudo bem! Desisto! É clichê...
Posso dizer que existe mesmo uma paulista da boa na música brasileira atual. Maria do Céu Whitaker Poças faz parte de um seleto grupo de cantoras que defendem o nome da música brasileira no exterior. Badi Assad, Bebel Gilberto, Cibelli e algumas outras perdidas pelo mundo que cantam o samba verde e amarelo numa tentativa de preservar a identidade brasileira.
Entre todas essas outras citadas, Céu é especial. Com um rosto de aparência tímida, jeito de menina arisca, sorriso miúdo e cabelos encaracolados destacando sua a brasilidade ela canta algumas melodias desconhecidas, uma mistura de sons orgânicos e eletrônicos, estilos regionais e samba, de início um pouco estranho, mas que acaba conquistando os ouvidos dos ouvintes do mundo. Céu também é compositora. Teve a ousadia de gravar o seu primeiro disco (2006) recheado de composições próprias e mais algumas outras bem conhecidas, como “O Ronco da Cuíca” do grande João Bosco.
Céu é uma mistura de tudo. Demonstra seu grande respeito pela natureza, pelo mar, pela floresta, pelo samba, as crenças e o misticismo brasileiro. É uma paulista do Brasil e do mundo, que nos faz esquecer a conturbação da vida urbana da grande metrópole de onde veio e nos oferece uma imagem de uma São Paulo que ainda vale a pena conhecer.
Apesar da beleza estética de sua obra, ela ainda não se tornou tão conhecida no Brasil. Não sei se pelo desprezo do próprio brasileiro que nem olha para seu disco nas lojas ou se por vontade própria de levar a boa música brasileira para os gringos que ainda hoje compram discos e prestigiam um bom trabalho. Sei que ela anda fazendo algumas apresentações gratuitas ou a preço muito baixo nos arredores de São Paulo. A gente sabe que ta cada vez mais difícil ganhar a vida com música no Brasil, aqui ela faz shows gratuitos ocasionalmente, lá ela ganha dinheiro e faz sua fama. Egoísmo? Não, claro que não! Cantores também precisam comer. Céu é uma brasileira de ouro, que por falta de incentivo à cultura no Brasil, precisa ganhar a vida lá fora.
domingo, 16 de março de 2008
Agradecer a quem?

De uns tempos pra cá, um adesivo com uma mensagem extremamente confusa e impositora vem atormentando meu pensamento. Corre por todo o Paraná a seguinte mensagem: Você já se alimentou hoje? Agradeça ao produtor rural!
A mensagem, vista de relance, daria uma boa frase de exaltação colocando os agricultores no topo da razão de nossa sobrevivência.
Se pensarmos no grande êxodo rural que o país sofreu e ainda vem sofrendo, poderíamos de fato considerar os poucos agricultores que ainda restam como grandes heróis, além de serem resistentes a um sistema de pouco valorização do trabalho campesino.
“Mas será que essa frase faz realmente sentido?”
Creio que ela ainda valha para os pequenos agricultores. Aqueles que praticam a agricultura de subsistência e que de uma forma quase permutável, produz simplesmente para poder ter acesso a outros produtos de suas necessidades básicas.
Infelizmente essa não é a maior parcela deste Brasil em que vivemos hoje. A maior parte dos agricultores atuais está visando simplesmente o mercado, o capital e o lucro. O que existe na verdade, são grandes mercenários que comercializam seus produtos com as grandes multinacionais. Será que devemos agradecer aqueles que preferem ver seus produtos expostos nas mesas fartas de famílias européias a vê-los alimentando milhares de bocas famintas que vivem por aqui?
Ta tudo errado no sistema agropecuário brasileiro. É vergonhoso para um cidadão como eu, saber que somos um dos maiores produtores de alimentos primários do mundo, e, no entanto existem milhões de pessoas vivendo na miséria e relutando por um prato de comida. É lamentável que existam produtores que preferem ver seus produtos apodrecendo nos estoques de grandes mercados e barracões a fazer a boa ação de matar a fome de outros seres humanos.
Não há mais o amor na profissão. O que impera é a grande necessidade de possuir riquezas materiais e sempre adquirir mais capital. Será que podemos agradecer pessoas que substituem as culturas tradicionais e de primeira necessidade para produzirem soja, milho e cana de açúcar, enriquecendo assim os cofres de máfias como a Monsanto? Será que podemos considerar essas práticas mercenárias como verdadeiras práticas louváveis?
Perdoem-me os poucos agricultores respeitáveis que ainda existe, mas creio que a frase acima, apesar de bem-intencionada, seja de extremo equívoco e de exaltação desmerecida. Vivemos cada dia mais a realidade do quem tem dinheiro come, quem não tem morre de fome.
Se produzimos em abundância e ainda assim temos problemas, de quem será a culpa? Por mais que tentem explicar por diversos pontos de vista, não há como fugir da cruel realidade do capitalismo e do neoliberalismo.
Quem já se alimentou hoje que agradeça aos produtores rurais. E quem ainda não se alimentou a quem deve recorrer?
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Saudade do que não vivi...

Todo dia me vem à cabeça a possibilidade de ter nascido em tempos errados. Tenho saudade de tantas coisas que nem mesmo pude presenciar. Tenho saudade de luta e de objetividade, algo épico, como a busca da própria liberdade, quando tínhamos os próprios estudantes da nação como nossos heróis.
Penso nos movimentos estudantis de hoje e vejo neles uma grande besteira. Os jovens estão cada vez mais vazios e se restringem aos ideais bobos e a vontade pitoresca de serem revolucionários. Não há a mesma determinação e o coração valente dos estudantes que lutavam contra a opressão da Ditadura Militar e outros estudantes que não apenas desejavam algo, mas que também faziam acontecer. Creio que nessa transição de tempos e distinção de realidades os jovens se confundiram e hoje acabam tentando tomar algumas medidas desnecessárias, simplesmente para conservarem a identidade revolucionária, baseadas em outros tantos que por esse mundo passaram e tentaram deixar suas marcas.
Estou farto de tantas tentativas de cópia, tanto falso-marxismo. Precisamos de jovens que lutem de forma adequada à situação atual. Já não vivemos na época em que ser presos em nome da própria liberdade era um ato de valentia. Hoje o que vemos são apenas cópias mal-intencionadas de estudantes de dos anos 60.
Por tudo isso, insisto em pensar que realmente nasci em tempos errados. Um tempo em que o jovem sequer sabe o que é revolução.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
O verdadeiro caipira
Isso também é cultura minha gente!
"Elpídio dos Santos"
Fiz uma casinha branca
Lá no pé da serra
Prá nós dois morar
Fica perto da barranca
Do Rio Paraná
A paisagem é uma beleza
Eu tenho certeza
Você vai gostar
Fiz uma capela
Bem do lado da janela
Prá nós dois rezar
Quando for dia de festa
Você veste o seu vestido de algodão
Quebro meu chapéu na testa
Para arrematar as coisas do leilão
Satisfeito eu vou levar
Você de braço dado
Atrás da procissão
Vou com meu terno riscado
Uma flor do lado e meu chapéu na mão
Vou com meu terno riscado
Uma flor do lado e meu chapéu na mão.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Assassinos da Canção.
Estão assassinando a canção;
Dói, e dói profundo;
Meus tímpanos rejeitam;
Vomitam!
Mas a violência é tão grande;
Que todo assassino persiste.
Quem não tem imunidade é logo infectado;
Assim se define o som do verão.
E o vírus se espalha;
Pelos milhões de ouvidos fáceis.
Ah, meus belos discos de estante,
Quem há de salvar a canção?
sábado, 2 de fevereiro de 2008
De pernas e corpo: Bem-vindos ao interior!
O ritmo é conhecido. A música não. Mas não vai muito tempo para aquela música de terrível desrespeito à figura feminina tomar conta da cabeça da galera. É apenas isso que aquela gente acefalada precisa. Querem apenas se divertir assim, com um som que apesar de insuportável é totalmente adequado ao nível intelectual e cultural daquela gente.
É um povo simples, porém, progressista. Por estarem em constante convívio com o “nada”, costumam associar o dinheiro ao “tudo”. Assim prosseguem a caminho da riqueza, espelhando-se nos poucos fazendeiros bem sucedidos da cidade.
Tudo que não pertence às suas realidades é ignorada da pior maneira possível. Música perfeita para eles é toda aquela que narra uma infidelidade corriqueira e a promiscuidade explicita.
Ali todo homem precisa ser macho. E macho para eles é conquistar e ir para a cama com todas as menininhas da cidade. Ignoram qualquer tipo de trabalho que não seja braçal, pois acham que o trabalho dignifica o homem, e o seu caráter se mede pelo peso carregado nas costas.
Muito me comove essa pobre sociedade. Não os culpo pela sua ignorância. Gostaria de ficar e acompanhar o sofrimento conformado desse povo feliz. Mas não dá, pois o Sol está muito forte. Com um calor cruel como esse não é de se estranhar tais atitudes e comportamentos. O Sol corrói a cabeça e o cérebro. E sem a cabeça só resta o corpo, que dança, capina e faz os serviços domésticos sem ter com o que se preocupar...
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Magia Carnavalesca
Antes tínhamos no carnaval a mais bela festa popular do mundo. As pessoas conseguiam se divertir nessa data. As marchinhas animavam a multidão de brasileiros que cantava e dançavam esquecendo-se de suas preocupações. Esse era o segredo: jamais se lembrar que tinham problemas. Era uma data mágica, porém instantânea. No outro dia se desfaziam das máscaras e a magia se tornava realidade.
Hoje a festa popular se restringiu. E por trás das belas fantasias que vemos na televisão não está o amor e o espírito carnavalesco, porém, muito dinheiro, que são investidos com um único objetivo: ser a escola campeã. Desconfio até que nem felicidade há por trás daquilo tudo.
Popular mesmo, só a festa de rua. Sem a mesma beleza que se esconde no interior dos sambódromos, mas com uma energia humanas insubstituível.
Enfim a colombina se encanta com um pierrô, sem máscara, mas cheio de más intenções. Sobem para o morro juntos, enquanto a euforia lá embaixo continua.
Boas lembranças terá a colombina. Em outubro não tem carnaval, mas até lá o pierrô vai estar longe, e a magia carnavalesca se concretizará. À caminho da maternidade...
domingo, 20 de janeiro de 2008
O Curumim e o "descobrimento".Eu vi o indiozinho nascendo.
Qualquer médico formado na Europa gostaria de aprender com a parteira como se faz o parto das índias.
Indiozinho é forte! Já nasce pulando! Em menos de um mês já começa a sorrir embalado nas canções cantadas pelas indiazinhas.
O menino é valente!Pelos índios é chamado de curumim.
Os curumins da aldeia precisam aprender desde pequenos que tudo o que produzem é para a subsistência dos próprios moradores. Aprendem também que a maior riqueza é a vida e a maior inteligência é saber compartilhar.
Curumim precisa sempre estar atento a duas regras: sempre respeitar as meninas da aldeia e saber que aldeia alheia é sempre aldeia alheia.
Porém, em um desses dias em que curumim se banhava no mar,
Lá de longe chegava em uma nau,
Um sinal enviado por Maíra...
Coitadinho do indiozinho sem infância,
À força foi catequizado.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Hipocrisia e preconceito: Características de uma nação atrasada.
Essas mesmas pessoas que acreditam na predestinação e que todo o nosso futuro está nas mãos de Deus só não conseguem explicar o motivo de Deus fazer uma pessoa homossexual, já que tal prática é tão abominável na lei cristã. Se isso é tão errado não seria viável fazer todos os indivíduos com sentimentos heterossexuais?
É lamentável que esse pensamento homofóbico e preconceituoso ainda exista no Brasil. Vemos cada dia mais histórias de filhos expulsos da casa por serem homossexuais, pessoas que se reprimem e vivem infelizes por toda a vida, pessoas que mantêm relacionamentos héteros involuntariamente apenas por serem pressionadas.
Vivemos muitas vezes as nossas vidas fúteis nos orgulhando por termos ido para a cama com duas mulheres na noite ou por termos o melhor carro com luz de néon da cidade, enquanto os outros países se desenvolvem produzindo tudo aquilo que consumimos em grande escala. Esquecemos que acima de qualquer explicação teológica e abstrata de uma atitude, deve-se analisar a condição verdadeira e concreta. Não é justo e ético causar o sofrimento a milhões de pessoas, reprimindo-as em nome de Deus, simplesmente por possuírem uma orientação sexual não-hetero. Deve-se zelar em primeiro lugar do bem-estar da sociedade e os direitos humanos.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Chico Buarque do Brasil!
O Chico é diferente. Ah, o Chico, ele é especial. Não pelo simples nome tipicamente roceiro que ele possui, mas pelo talento e perfeição das suas obras. Quem o conhece que o diga! Chico encanta a todos os corações, desde os mais trancafiados e rígidos, passando pelos imundos e imorais e chegando aos corações mais belos de quem sabe ouvir boa música.
Quando ouço sua música parece que não há mais chão e nem céu. Parece que tudo ao meu redor se transforma, e qualquer som que não seja a sua voz profetizando as mais belas palavras, transforma-se nas mais insuportáveis heresias enviadas pelo diabo. Porém, as palavras do mestre me fazem sentir uma sensação de acalanto e consigo me safar e voltar a viver novamente. Sinto o céu aqui bem pertinho, ao meu lado, totalmente acessível com a voz do meu Deus me pedindo pra entrar.
Ele canta o simples e o complexo, com poucas ou muitas palavras, com ritmo bastante abrasileirado e com uma capacidade de desafinação que só mesmo Chico Buarque de Hollanda possui. Nunca existiu na face da terra alguém que soubesse representar melhor o seu povo, narrar o sofrimento de uma classe, criticar formas de governo e interpretar qualquer acontecimento rotineiro melhor que ele. Ele é a favela com o seu samba e a sua feijoada completa, ele é a natureza com os rouxinóis e todo o passaredo, ele é o operário, o oprimido, o menor abandonado. Ele é político, vagabundo e trabalhador, é pedreiro e loucamente apaixonado. Ele é a floresta amazônica. Ele é mulher, decente e a prostituta, ele é criança e é moribundo. Chico é Deus e o diabo. Ele é o candomblé, o catolicismo e o budismo. Ele é todo o misticismo de um povo. Ele é toda a nossa história, o nosso presente o tudo o que ainda há de vir. Ele é o mundo, quando sorri ou quando chora. Ele é o amor. Ele é toda felicidade e toda a tristeza representada em um corpo magrelo de nariz pontiagudo e olhos azuis. Um senhor tímido e quieto que sempre possui muito a dizer. Chico é cultura.
Isso sim é música que se preze. Alguém que canta perfeitamente a cultura e os costumes de um povo, alguém que possui uma perfeita miscigenação de ritmos, alguém que critica o criticável, alguém que quebra paradigmas, alguém que sonha com um mundo melhor, alguém que é a perfeição em forma humana, alguém que faz música por amor, alguém que não se rende e nem nos abandona! Ele une a letra, a melodia e a emoção, fazendo das três uma Santíssima Trindade. São letras que possuem conteúdo e não simplesmente são nos enfiadas goela abaixo como se fossemos capachos do mercado nojento e pobre da cultura musical atual! São músicas que cantam algo e que retratam uma realidade sadia e útil, e não simplesmente põe-nos a pular como animais, igualando-nos aos irracionais! Ele canta a mulher em várias perspectivas, e não simplesmente as vulgarizam e as tratam como vadias e desmoralizadas como faz a cultura musical atual!
Chico. Perdoe-me, por favor, se eu não lhe faço uma visita! Que Deus lhe pague por tudo! Mas o que eu quero lhe dizer, meu amigo, é que a coisa aqui ta feia!
Quem te viu quem te vê! Você continua o mesmo! O mesmo Chico Buarque do Brasil.
Chico é tudo o que você quer que ele seja. Para quem ainda não teve a oportunidade de conhecer e se apaixonar pelas suas obras, deixo aqui um convite! Ouça Chico Buarque e deixe as músicas falarem por você. São músicas para todos os gostos e todos os pensamentos. Perceba que música é muito mais do que aquilo que as rádios ou a televisão tenta nos empurrar.
Para os professores, peço que insentivem os seus alunos a conhecer o grande compostor. Apresentem as músicas do Chico nas explicações das matérias. Assim as aulas ficarão mais produtivas e divertidas, e o aproveitamento será ainda maior!
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
A Negra
A negra descia descalça correndo pela ladeira . O Sol forte e intenso queimava o chão derretendo o negro do asfalto, porém, seu pé grosso de quem trabalhara por anos sem ver a cor de um sapato não podia sentir a quentura insuportável que se soltava do chão. A negra não chorava, era forte, mesmo sentido um pesar, como se tivesse perdido um ente querido. Ela suportava firme, segurando as malditas lágrimas que guardava há anos.
“Ninguém desflora filha da negra”, dizia ela orgulhando-se de seus valores e de sua dignidade. Era apenas mais uma mulher daquelas, que sofre pelo preconceito e nunca têm oportunidade na vida. Nasce pobre, cresce e morre assim. Religiosa, espera ter no Céu o que não conseguiu na terra. Conformada e fatalista, acredita que seu destino está sempre nas mãos de Deus.
“Ninguém desflora filha de negra”, continuava a mesma ladainha. Ninguém entendia a euforia da negra que não olhava para os lados e nem cumprimentava os vizinhos que a encaravam. O fato é que recebera de um vizinho a notícia de que sua filha mais nova estava no matagal com mais três meninas se encontrando com alguns moleques estranhos, tão brancos, que de caras iguais nunca apareceram por ali. O sangue da negra esquentou, e só lhe restou pegar um facão e correr atrás dos desgraçados. “Negra é pobre, mas é decente! Filha de negra não é rameira, é limpinha e honesta!”
Estavam todas juntas, Aninha que era filha da negra, Célia e Francisca. As meninas estudavam num colégio fora do bairro, onde também estudavam garotos da Barra da Tijuca, almofadinhas de classe média e que se exibiam vestindo suas roupas da moda compradas em shopping center. As cabrochas não se continham e se sentiam verdadeiras rainhas vendo os meninos ricos e brancos as flertarem. Travavam uma disputa entre elas, sendo a campeã aquela que conseguisse ir pra cama com maior número de garotos. E aquele dia não foi diferente, as garotas tomaram seus banhos demorados, lavaram os cabelos e usaram desodorante nas axilas para se encontrarem no matagal.
Os garotos eram sete. Todos fortes e varonis. Subiam toda semana no morro para desflorar as mocinhas de lá. Muitas vezes isso acontecia à noite, e as moças com desculpa de ir à igreja fugiam e se entregavam de corpo e alma.
O que a negra não sabia é que isso era normal. Sua filha há tempo não era mais virgem, e toda semana novos garotos a copulavam. Evasão escolar só não havia porque era gostoso ir à escola. As meninas podiam exibir seus corpinhos medonhos e peitinhos de pitomba para quem quisesse ver. Sentiam-se como princesas. O vizinho tão moralista que denunciara a infâmia não sabia que seu filho único também participava constantemente das orgias, e esse era o motivo pelo qual ele quase nunca se sentava bem acomodado à mesa na hora do jantar, ficando sempre torto e desajeitado. Aquele matagal se transformara em um verdadeiro motel a céu aberto.
O susto fora imenso quando a negra chegou naquele local. Sou filha era a mais ousada das garotas. Encontrava-se numa posição até então desconhecida por ela que jamais havia feito algo parecido com o falecido marido. Todos os sete abusavam da menina ao mesmo tempo. Ânus, vagina, as duas mãos, boca e os dois seios estavam ocupados. As outras duas meninas esperavam impacientemente pela sua vez. Os garotos eram impiedosos. Demonstravam com a menina todas as suas habilidades aprendidas nos filmes e revistas eróticas, coisa que os favelados não podiam comprar. Nunca pegavam no batente, nem trabalhavam como operários, mas possuíam músculos e corpos esbeltos e invejáveis por freqüentarem academias sofisticadas. Era esse tipo de homem que as cabrochas desejavam. Nenhuma delas queria homem que trabalhasse, pegasse no batente, tivesse mão calejada, e chegasse sujo em casa. Elas queriam homens cheirosos e gostosos, sempre dispostos a dar aquilo que elas mais desejavam.
A preta foi inconseqüente. Também não tinha nada a perder. Surrou a filha, deixando-a caída ao chão e depois a expôs completamente nua no meio da rua, espancando seus genitais incessantemente. Apenas dois moleques não conseguiram escapar. Ainda com os objetos eretos e avultados ela se deparou com um desejo antigo que guardava desde a morte do marido. Masturbou os meninos e levantou sua saia exigindo que eles a penetrassem até a ejaculação. Tirou todo o atraso de quase vinte anos sem sexo, sentindo o prazer dos garotos másculos, loiros e lindos da Barra da Tijuca. Porém, após o prazer veio o ódio, e não se rendeu ao conformismo estereotipado de que filho de rico faz o que quer com filha de pobre.
No loirinho do pênis menor, que a penetrou analmente e que aparentava ser menor de idade ela introduziu uma vara cheio de espinhos no ânus. Ele gritava e se sacudia, porém era tão intensa aquela vontade de vê-los sofrer que ela não parava mais. O menino desmaiou e ficou esticado ao chão. Só acordou no outro dia já no hospital. Perdera muito sangue e ficara quinze dias impossibilitado de andar. Ao outro loiro mais fortinho, do pênis mais farto e que penetrara sua vagina, ela agira ainda pior. Castrara o seu sexo, deixara-o eunuco.
A negra foi autuada e morreu de parada cardíaca na cadeia. Depois de muito tempo a favela voltou ao normal, porém nunca mais um garoto se encontrou com alguma garota naquele matagal. O pênis e o escroto do eunuco jamais foram encontrados, a vizinhança crê que algum cachorro faminto os devoraram logo após o crime.
sábado, 29 de dezembro de 2007
Até onde a religião é boa?
Se compararmos os nossos idosos com a juventude atual, poderíamos perceber que os brasileiros ainda conservam vivo o seu lado espiritual e religioso. Vemos que as igrejas continuam lotadas e a população continua temendo e respeitando o lendário Jesus Cristo. Isso é bom, pois o cristianismo e suas leis podem muitas vezes ser benéficas para a sociedade. Uma dose moderada e justa de moralismo pode ser útil diante de tantos desastres cometidos por uma minoria perversa e desumana. É certo que o temor ao desconhecido, o medo e a necessidade da existência de um ser supremo que poderá nos condenar ou nos salvar após a morte deixa-nos um pouco amedrontados e somos compelidos a praticar o bem.
A Igreja teoricamente é boa e justa, tem como objetivo cuidar do lado espiritual do indivíduo, transmitindo assim a palavra de Deus, aquela que a instituição julga ser a correta. Ela é uma instituição que possui um papel interno, tem toda a liberdade de expressar e profetizar o que bem entender, porém, dentro de seus limites. Os limites são tanto fronteiriços quando os que se trata de preconceito ou injustiça.
No Brasil sofremos de uma doença que se intitula moralismo religioso que é transmitido por um vírus muito popular que se encontra facilmente nas ruas, escolas e supermercados, chamado fundamentalismo cristão.
Em todos os países democráticos a bancada que corresponde ao legislativo é que se responsabiliza por aprovar ou reprovar uma lei ou alguma medida cabível ao Estado. No Brasil, porém, a Igreja esqueceu do seu papel verdadeiro, e assume uma faceta tão odiosa que me arrepia em pensar que isso pode continuar assim. Não vivemos uma democracia, pois os cristãos já estão quase a transformando em uma teocracia. É impressionante como a religião insiste em interferir em todas as questões que cabe ao Estado decidir. Somos o único país de mundo que se preocupa com a posição da Igreja antes de tomar alguma decisão legislativa.
Não bastasse essa invasão, a Igreja também é responsável pela fomentação de inúmeros preconceitos. Preocupam-se demasiadamente em executar seus cultos pentecostais e pregar o individualismo e ganância e se esquecem de serem humanos e justos. A realidade é ignorada por eles. Fome, peste, AIDS, sede, violência e desigualdade, nada disso são discutidas pelos bons religiosos, nada disso é do interesse dos carismáticos que se julgam tão bons. Só se preocupam em ter seus contatos diretos com o espírito santo. Com qual intuito? Será que o espírito santo não é capaz de dizer que o erro começa ali?
Por curiosidade comecei a pesquisar alguns artigos cristãos de padres e outros religiosos. Fiquei indignado com a forma tão preconceituosa e homofóbica que um religioso chamado Prof. Felipe Aquino falava sobre o projeto da câmara PLC 122/06. O Projeto além de justo é o primeiro passo para um país que deseja a igualdade de direitos, o extermínio do preconceito e o desenvolvimento social. Porém, o professor é contra o projeto, e demonstra ser leigo e totalmente desinformado sobre essa questão. Primeiro diz em seu artigo que o projeto irá aprovar a homossexualidade. Por acaso necessita de aprovação para a existência de uma orientação sexual? Disse ainda que o projeto irá instaurar a perseguição aos religiosos do país. Mentira! O professor é desinformado e sensacionalista, argumentou-se como se fosse uma vítima muito prejudicada com a aprovação do projeto. O PLC 122/06 não instaura nenhuma perseguição a algum grupo religioso, político ou ideológico. Tem o objetivo de apenas instaurar a igualdade sexual, proibindo a homofobia, o preconceito ou qualquer tipo de ato que seja considerado ofensivo a algum homo, hetero ou bissexual. Ninguém sairá prejudicado com a aprovação do projeto que visa apenas dar mais dignidade, valor e respeito a quase 20% de brasileiros que por condição (não por opção) possui uma orientação não-hetero. A Igreja não tem o direito de dizer qual condição sexual é certa e qual é errada. Limite! A liberdade religiosa é diferente. Todos possuem o direito de profetizar e adorar os seus deuses da maneira que achar mais viável. Porém, ninguém tem o direito de usar a religião como pretexto do preconceito e injustiça! O professor chega ao cúmulo, usando uma frase aterrorizante intitulando todos os homossexuais e os não-cristãos de pessoas más e também dizendo (pasmem!) que o Brasil é um país católico. Nossa nação não possui uma religião oficial, e se tivéssemos com certeza não seria o catolicismo. O Brasil é um país de maioria católica, porém essa não é uma religião brasileira. Religiões brasileiras são aquelas que nasceram aqui e que aqui cresceram. O Brasil é um país laico.
Não podemos aceitar que religião interfira no papel do Estado. Profecia e ensinamento do bem são justos. Porém, tudo o que prejudica a sociedade em massa é injusto! Qualquer tipo de preconceito é inaceitável e o PLC 122/06 deve ser aprovado! Ninguém sofrerá e nem será prejudicado com a aprovação do mesmo, porém com a reprovação, que é o que prega a Igreja, quase 20% da nossa população será massacrada, e o Brasil jamais poderá crescer socialmente.
Lembrem-se: Liberdade de expressão e liberdade religiosa não é dizer ou pregar tudo o que pensa, mas sim pregar e dizer tudo aquilo que é justo e necessário!
Não sou contra a religião. Mas deveríamos todos utilizar do censo crítico e refletir: Até onde a religião é boa?

